terça-feira, 11 de dezembro de 2007

Falando de amor a uma prenda


Desnudo coração

Amo a prenda* de um Conde... mas, plebeu,
mantenho-me distante desse amor.
Poeta, sei conter o sonho meu
apenas com meus versos de louvor.

Não levo meu desnudo coração
a quem nem sei se está nesse retrato...
Desse castelo nem lhe piso o cão,
nem me aproximo, pois o amor, de fato,

é respeitoso, por respeito ao Conde,
ao seu poder, sua soberania.
Se o tesouro, que tem, ele o esconde,
não devo ter a mínima ousadia.

Contenho-me na minha latitude,
sou com um pássaro que se perdeu...
Desse meu canto em que cantar eu pude,
é respeitoso o meu amor plebeu!


* prenda

(regionalismo gaúcho):
moça, mulher nova.
Jorge das Neves
poeta@infolink.com.br
De um pequeno bosque
em Porto Seguro.

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