Amar é a maré
O meu amor se foi... Caminho pela areia
morrendo de saudade em plena lua-cheia.
Seus passos junto ao mar ainda estão marcados
e os sigo como um cão de instintos apurados.
O mar está bravio, e o coração me diz
que os passos vou perder, que os tenho por um triz,
que ondas já virão... E os passos lá se vão
na força da maré! Não posso dizer... NÃO!
Amar é a maré que tira de repente
o amor de nossas mãos. Acaba-se o presente.
Só resta-nos passado... E lá se vão os passos
do amor que se perdeu. Os traços são escassos.
Prossigo caminhando e dói-me esta saudade
de alguém que foi embora. O amor me fez maldade
e, agora, só me resta entrar no coração
e lá dentro cantar, chorando, uma canção...
Et la mer éface
sur le sable
les pas des amants désunies…
Convidado para um luau,
inspirei-me na canção “As folhas mortas”
"Les feuilles mortes", versos franceses
de Jacques Prévert, que nos dizem:
E o mar apaga
sobre a areia
os passos dos amantes separados...
Jorge das Neves
Lua-cheia de 1º de agosto de 2007
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