
Voltando de um passeio
ao Infinito
"Eu te amo" - tu disseste no meu sonho
em meu jardim e, então, me emocionei,
alisei-te os cabelos e, risonho,
teus lábios entreabertos... eu beijei.
Mas esse amor tão puro e tão macio,
telepático, esplêndido, profundo
é muito mais o amor que pronuncio
na linguagem efêmera do mundo,
transbordando em poema transcendente
onírica mensagem do passado,
que retorna emotivo e transparente,
sem máculas e o peso de um pecado...
Acessei sentimentos de outra vida
numa viagem astral? ou regressão?
Ou - quem sabe? - uma página esquecida
no livro eterno dessa adoração,
pois, às vezes, te sinto uma vestal
no templo de uma deusa ou divindade,
enfeitiçando-me num ritual
em que ensinaste-me a pluralidade...
"Também te amo!" - de pronto completei
na seqüência do sonho tão bonito.
Ali, no meu jardim. eu despertei,
voltando de um passeio ao Infinito...
Jorge das Neves
em construção
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